Apesar de ser um site japonês, é bem simples montar o esqueleto. Podemos usar de duas formas este aplicativo. Seja no laborátorio de informatica ou de Dever de casa, acredito que o joguinho pode ser uma forma descontraída de reforçar o conteúdo de ciências.
http://jogaki.uol.com.br/jogosonline/infantil/esqueleto-516.html
"Tão importante quanto o que se ensina e se aprende, é como se ensina e como se aprende" César Coll
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Mario Quintana
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira....
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira....
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo:
Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá,
será desse tempo que infelizmente não voltará mais.'
Os fungos a nosso serviço
Quando ouvimos falar em biotecnologia, pensamos logo nas técnicas modernas de manipulação do DNA, como a engenharia genética e as sementes transgênicas. Contudo, a biotecnologia é muito mais antiga: há muito tempo o ser humano manipula microrganismos, criando produtos como o vinho e outras bebidas alcoólicas e o pão. Além, é claro, de vários antibióticos. E os fungos estão entre os principais microorganismos a nosso serviço.
Os fungos alimentam-se de substâncias orgânicas de folhas mortas, de cadáveres e de resíduos. Eles realizam a decomposição dessas substâncias e, dessa forma, contribuem para a reciclagem da matéria no planeta.
Algumas de suas formas são unicelulares, como o levedo. A maioria, porém, é formada por várias células, como os conhecidos cogumelos - alguns deles são muito apreciados na culinária; outros, porém, produzem substâncias venenosas. E somente especialistas podem identificar se um fungo é tóxico ou não.
Os fungos podem ser aeróbios - quando utilizam o gás oxigênio do ar para liberar energia do alimento - ou anaeróbios, quando realizam um processo chamado fermentação. Na fermentação, os fungos conseguem energia sem utilizar oxigênio. E é justamente nesse processo que diversos produtos úteis ao ser humano são fabricados.
Uma curiosidade: a maior forma de vida da Terra parece ser um fungo gigante com uma enorme rede de filamentos que se estende embaixo da terra, abrangendo uma área equivalente a 47 estádios do Maracanã.
A produção de álcool e pão
Na produção de álcool, de pão e de bebidas alcoólicas usamos um fungo conhecido como levedo (Saccharomyces cerevisiae). O processo é chamado de fermentação alcoólica e libera, além do álcool, gás carbônico (esse gás pode ser mantido na bebida, como no champanhe e na cerveja).
O vinho é produzido a partir da fermentação do açúcar da uva; a cerveja resulta da fermentação da cevada; a cachaça tem origem na fermentação da cana-de-açúcar.
O fungo morre quando o nível de álcool chega a cerca de 12%. Por isso, no caso de bebidas de alto teor alcoólico, este nível é aumentado por meio da destilação.
O levedo é encontrado também no fermento de padaria e faz crescer a massa do pão pela produção de gás carbônico. As bolhas desse gás fazem a massa ficar fofa. Tanto o álcool como o gás carbônico acabam sendo eliminados da massa pelo calor do forno.
Alguns fungos defendem-se de predadores através da produção de substâncias químicas que matam ou inibem o crescimento de bactérias e outros seres vivos. Algumas dessas substâncias são usadas na produção de antibióticos.
Antibióticos e outros medicamentos
O primeiro antibiótico foi descoberto pelo cientista escocês Alexander Fleming (1881-1955). Fleming estava cultivando bactérias em placas de vidro quando observou que uma das placas tinha sido contaminada por fungos. Ele observou também que as bactérias não cresciam ao redor da região onde estava o fungo.A partir dessa observação, Fleming pode verificar que o fungo, da espécie denominada Penicillium, tinha a propriedade de inibir a reprodução das bactérias. Estava aberto o caminho para produção da substância denominada penicilina.
Muitos medicamentos são extraídos de fungos. Por exemplo: a ergotamina, usada para controlar sangramentos e estimular contrações musculares no parto; a ciclosporina, que reduz as reações imunológicas do corpo e é, por isso, importante nos transplantes de órgãos.
E, embora as bactérias sejam as preferidas para a produção de medicamentos pela engenharia genética, cientistas norte-americanos conseguiram fazer recentemente com que o levedo produzisse proteínas para fins terapêuticos semelhantes às proteínas humanas, utilizando as mesmas técnicas de engenharia genética.
Os fungos também podem ser usados como controle ou combate biológico, uma técnica de combate a pragas. Por meio de seleção e melhoramento genético, pesquisadores da Universidade de São Paulo conseguiram espécies (Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana) que parasitam e matam insetos que atacam as plantações no Brasil. A vantagem do combate biológico é que ele é mais específico que os agrotóxicos: os insetos úteis (como os polinizadores e os predadores das pragas), além de outros animais, não são afetados por eles.
Fungos versus ser humano
Fungos podem ser benéficos ao ser humano, mas também podem trazer prejuízos. Eles atacam plantações, destroem alimentos estocados, roupas, papéis, couro e outros produtos. E há ainda fungos parasitas que se instalam em nosso corpo e causam doenças - as micoses, como a frieira, a candidíase (o popular "sapinho"), entre outras.
Os fungos do gênero Aspergillus, por exemplo, produzem substâncias tóxicas, as aflatoxinas, que podem provocar câncer de fígado no ser humano. Eles podem se desenvolver em alimentos armazenados em locais úmidos, como milho, trigo e amendoim. Por isso, uma vigilância sanitária constante é necessária, a fim de detectar os níveis de aflatoxina nesses produtos.
Preservar a biodiversidade
Do ponto de vista da ciência, a natureza não existe para servir ao ser humano. Fungos, assim como todos os organismos do planeta, apresentam adaptações que permitem sua sobrevivência e reprodução. Muitos fungos produzem substâncias tóxicas para combater outros seres vivos. Muitas dessas substâncias acabam sendo transformadas em medicamentos para o ser humano. Assim, embora não houvesse nenhuma "intenção" por parte do fungo (ou de qualquer outro ser vivo) de nos ajudar, é isso que acaba acontecendo em muitos casos: basta pensar nas vidas salvas pelos antibiótiocs. A conclusão é que preservar a biodiversidade do planeta é preservar também a espécie humana.
(Julho de 2004)
Fernando Gewandsznajder
(Licenciado em Biologia, doutor em Educação, professor de Biologia no Colégio Pedro II-RJ e autor de livros de Ciências e Biologia pela Ática)
Fontes:
Linhares, S. e Gewandsznajder, F. Biologia Hoje. 11.ed. Vol.2. São Paulo, Ática, 2003.
Putzke, J. Os reinos dos fungos. 2v. Santa Cruz do Zul, Edunisc, 1998.
Raven , P. H., Evert, T. F. Eichmorn, S. E. Biologia vegetal. 5.ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1996.
Silveira, V.D. Micologia. 5.ed. São Paulo, Âmbito Cultural, 1995.
Na Internet (em inglês)
http://www.ucmp.berkeley.edu/fungi/fungi.html
(Site acessado pelo Ática Educacional em julho de 2004)
Sapos, rãs e pererecas
Antes de se tornarem adultos, os sapos são girinos no início da vida. A transformação pela qual eles passam também ocorre com outros anfíbios e insetos, e tem nome: metamorfose!
Sapos, rãs e pererecas, por exemplo, passam por uma transformação extraordinária: seu corpo, seu comportamento e até a forma como esses animais se relacionam com o meio em que vivem passam por uma reestruturação. Não que eles virem príncipes ao serem beijados por uma princesa. Mas a mudança é tão radical quanto à das fábulas. Afinal, os girinos são larvas de sapos, rãs ou pererecas e não se parecem em nada com os bichos que irão se tornar quando adultos!
Suas características comprovam isso: em geral, os girinos são aquáticos. Estão em riachos, lagos, poças ou na água acumulada em bromélias, um tipo de planta. Têm, acredite, algo em comum com os peixes. Sim, com peixes!!! Adaptados a viver na água, os girinos possuem, no corpo, estruturas semelhantes às desses animais, como brânquias, que retiram o oxigênio da água. Por meio delas, eles respiram!
Uma das grandes diferenças entre girinos, sapos, rãs e pererecas está na boca. Embora o formato dela varie com a alimentação e a espécie, muitos girinos têm um bico feito da mesma substância que forma as unhas e os dentes. Basta que a fase de girino chegue ao fim, para que a larva se pareça cada vez mais com o sapo, com a rã ou com a perereca que será no futuro!
Sapos, rãs e pererecas. Ciência hoje das crianças, Rio de Janeiro, out. 2003.
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1. Antes de se tornarem adultos, sapos, rãs e pererecas são:
(b) bichos que não se transformam.
(c) filhotes de peixes de rio.
(d) larvas chamadas girinos.
2. Em “... E até a forma como esses animais se relacionam”, a expressão esses animais está substituindo:
(a) rãs e pererecas.
(b) rãs e sapos.
(c) sapos e pererecas.
(d) sapos, rãs e pererecas.
3. Em “sapos, rãs e pererecas passam por uma transformação extraordinária”, a palavra grifada significa:
(a) fantástica.
(b) muito leve.
(c) normal.
(d) pequena.
4. O texto trata:
(a) da maneira como muitos filhotinhos vivem nas bromélias.
(b) da mudança profunda que acontece na vida de alguns animais.
(c) do modo como vivem principalmente os animais aquáticos.
(d) dos alimentos preferidos dos sapos.
5. Os girinos podem viver na água porque têm:
(a) bico.
(b) brânquias.
(c) pulmões.
(d) unhas.
6. O texto que você leu:
(a) ensina como alguns bichos se transformam.
(b) explica como são os sapos dos contos de fadas.
(c) informa como sobrevivem sapos, rãs e pererecas.
(d) mostra como os sapos conseguem virar príncip
Fonte: Grupo Professores Solidários
A ararinha do bico torto
Walcyr Carrasco
Na floresta, uma ararinha nasce com o bico torto e é rejeitada por seus pais e seus irmãos. Acaba caindo do ninho, indefesa, porque não consegue se alimentar sozinha. É encontrada por Pedro, fotógrafo de natureza profissional, e seu filho Mário, que lhe dão o nome de Nina. Pai e filho levam a ararinha para casa e cuidam dela, dando comida no seu bico com uma seringa. Com o tempo, ela aprende a se alimentar sozinha. Adulta, Nina é levada para o viveiro de uma escola, onde vira sensação entre os outros pássaros, alunos e professores. Acaba encontrando um companheiro e tem dois filhotes. Quando Mário vai visitá-la e ver os filhotes, fica tão orgulhoso de Nina que não pode deixar de sorrir.
1. Possibilidades Pedagógicas
1 (Re)conhecer aspectos de dois gêneros do NARRAR:
• a fábula como uma narrativa em que as personagens são animais que agem como pessoas (p. 4 a 15);
• a história com personagens humanas narrada em terceira pessoa (p. 16 até o final).
2 (Re)conhecer uma história escrita por Walcyr Carrasco, autor de conhecidas novelas de televisão.
3 Criar situação de aprendizagem em que a questão da diversidade seja tema de conversa e trabalho:
“Uma atenção particular deve ser voltada para as crianças com necessidades especiais que, devido às suas características peculiares, estão mais sujeitas à discriminação”, como explicitam dois dos objetivos para a Educação Infantil, para a criança na fase dos quatro aos seis anos:
• Identificação progressiva de algumas das singularidades próprias e das pessoas com as quais a criança convive no seu cotidiano em situações de interação.
• Respeito às características pessoais relacionadas ao gênero, etnia, peso, estatura, etc.
MEC. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular para a educação infantil: Formação pessoal e social. Brasília: MEC/SEF, 1998, p. 37 e 41.
4 Refletir sobre os desafios da convivência – como já sugere o nome da série da qual o título faz parte, Todos juntos – principalmente sobre os desafios da convivência com o diferente.
2. Abordagens Interdisciplinares
LÍNGUA PORTUGUESA
ARTE
– a tecnologia e o trabalho manual na criação da imagem (Cf. nota sobre ilustrador, p. 40);
– a realidade e a ficção (Cf. nota sobre a gênese da história, p. 38)
CIÊNCIAS
“– Aves e muitos outros bichos são assim. Rejeitam o filhote diferente. O garoto se surpreendeu. O pai explicou:
– A vida na natureza é difícil. Só sobrevivem os mais aptos. Com o bico torto, ela não consegue se alimentar. Mário olhou a pequena arara com pena. – Então... Ela vai morrer? O homem fez que sim. O menino pediu:
– Pai, deixa eu levá-la para casa?” (p. 20).
3. Temas Transversais
objetivos na abordagem dos temas transversais em educação, com destaque para:
ÉTICA
• adotar atitudes de respeito pelas diferenças entre as pessoas, respeito esse necessário ao convívio numa
sociedade democrática e pluralista;
• adotar, no dia a dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças e discriminações;
• assumir posições segundo seu próprio juízo de valor, considerando diferentes pontos de vista e
aspectos de cada situação.
Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: apresentação dos temas
transversais e Ética. Brasília: MEC/SEF, 1997, p. 97.
PLURALIDADE CULTURAL
• desenvolver uma atitude de empatia e solidariedade para com aqueles que sofrem discriminações;
• repudiar toda discriminação baseada em diferenças de raça/etnia, classe social, crença religiosa, sexo e outras características individuais e sociais.
Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Pluralidade cultural e orientação sexual. Brasília: MEC/SEF, 1997, p. 59.
MEIO AMBIENTE
• perceber, apreciar e valorizar a diversidade natural e sociocultural, adotando posturas de respeito aos diferentes aspectos e formas do patrimônio natural, étnico e cultural;
• identificar-se como parte da natureza, percebendo os processos pessoais como elementos fundamentais para uma atuação criativa, responsável e respeitosa em relação ao meio ambiente.
Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Meio ambiente e saúde: MEC/SEF, 1997, p. 54.
Quaoar: um novo planeta?
No início de outubro último, durante a 34ª Reunião de Ciências Planetárias da American Astronomical Society, Michael Brown e Chadwick Trujillo, astrônomos do Instituto de Tecnologia da Califórnia, anunciaram ter descoberto um novo corpo celeste em órbita em torno do Sol, o Quaoar.
Quaoar é um deus da mitologia dos índios Tongva, primitivos habitantes da região de Los Angeles. Ele "veio dos céus, e após colocar ordem no caos, pôs o mundo sobre as costas de sete gigantes. Em seguida criou os animais e o homem." Quaoar, o corpo celeste, tem diâmetro de 1.250 km, mais da metade do diâmetro de Plutão e um pouco mais do que diâmetro inteiro de Caronte, satélite de Plutão. E, ao que parece, ao contrário do deus Tongva, sua imagem vinda dos céus contribuiu mais para o caos do que para a ordem.
A descoberta não surpreendeu muito os astrônomos, ao contrário, é até uma descoberta anunciada, mas os obrigou a enfrentar de novo a incômoda e óbvia indagação da mídia científica: o Quaoar é um planeta?
A resposta mais freqüente a essa pergunta é surpreendente, principalmente àqueles não familiarizados a moderna astronomia planetária: o Quaoar não é um planeta porque foi descoberto agora, mas seria, se tivesse sido descoberto há setenta anos, quando Plutão foi descoberto!
Essa estranha resposta torna mais significativa a própria descoberta, pois representa a rara oportunidade de vivenciar - e por isso entender melhor - como se constrói o conhecimento científico. O que estamos assistindo agora não é apenas o momento de uma nova descoberta científica, mas principalmente o momento em que essa e outras descobertas semelhantes obrigam a comunidade científica a rever um conceito, neste caso o ainda hoje mal definido conceito de planeta.
Não é a primeira vez que o conceito de planeta é colocado em questão. A primeira, certamente muito mais importante, surgiu por ocasião da revolução copernicana, que além de nos desalojar do centro do Universo, tirou dos planetas seu status divino.
Planeta: uma estrela errante - Além do Sol e da Lua, dois conjuntos de corpos celestes chamavam particularmente a atenção das nossas primeiras civilizações: as estrelas e os planetas. As estrelas eram todos os pontos brilhantes - alguns mais do que outros - que mantinham posições fixas entre si, embora se movessem em conjunto, descrevendo círculos em torno de um ponto fixo no céu. Talvez até para não as perderem de vista nessa ciranda incessante, nossos antepassados agruparam a maior parte dessas estrelas fixas em figuras de formas arbitrárias, as constelações.
Mas havia cinco notáveis exceções, cinco estrelas que vagavam sem posição fixa, como se visitassem essas constelações, mas não todas, apenas as doze constelações do zodíaco, como foi chamada a faixa central do céu noturno, caminho do Sol, da Lua e dessas estrelas errantes. Por isso, essas estrelas muito especiais foram chamadas de planetas, palavra grega que significa viajante. Só podiam ser deuses, imaginaram nossos antepassados, provavelmente auxiliares do Sol e da Lua, pois como eles, caminham pelo céu, percorrendo as mesmas constelações. Assim, receberam o nome de deuses: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.
Desde então, embora enfrentando muitas resistências, a aceitação da nova concepção copernicana do Sistema Solar que amadurecia naquela época, tornou-se irreversível. E com ela uma nova visão do Universo e uma nova concepção de planeta.
A nova concepção de planeta - Ficou claro, desde então, que o Sol era apenas mais uma das incontáveis estrelas fixas do firmamento. E a Terra, apenas mais um planeta, que se somava aos cinco planetas conhecidos. Todos eles eram apenas corpos celestes que se movimentam em órbitas planas, elípticas, quase circulares, em torno do Sol, formando um sistema planetário, o Sistema Solar. Com o passar do tempo, outros planetas foram descobertos e, homenageando novos deuses, agregados a esse sistema: Urano, Netuno e Plutão.
Esse é, ainda hoje, o conceito de planeta. Nossos principais dicionários ainda o consagram - um deles (Aurélio), já com um toque de modernidade, assim o define: "Astro sem luz própria, e que gravita em torno de uma estrela, particularmente o Sol, que é a única com a qual são observáveis diretamente os planetas." Entre as enciclopédias, a consagrada Encyclopaedia Britannica, aprimora e restringe um pouco mais essa definição: planeta é "qualquer corpo (exceto cometa, asteróide ou satélite) movendo-se em órbita em torno do Sol ou de alguma outra estrela." A generalização que tira do Sol o privilégio de ter planetas, já reflete os novos tempos de novas descobertas, pois há indícios observacionais muito fortes da existência de pelo menos 100 planetas extra-solares.
Definições como essas, embora pouco precisas, até há alguns anos pareciam satisfatórias. É certo que muitos asteróides orbitando o Sol foram sendo descobertos mas, embora não houvesse critério definido para distinguir asteróide de planeta, a diferença de tamanho entre eles sempre foi tão grande, que a ninguém ocorria cogitar de considerar que um asteróide fosse planeta. Além disso, como conseqüência do seu reduzido tamanho, a maioria desses asteróides tem formas irregulares, não esféricas. E quase todos orbitavam uma estreita faixa entre Marte e Júpiter, localização que sempre facilitou a sua classificação.
Mas a hipótese da existência de uma nova faixa de asteróides localizada nos confins do Sistema Solar iria trazer futuras perplexidades.
O cinturão de Kuiper. Em 1951, Gerard Peter Kuiper (1905-1973), astrônomo holandês radicado nos EUA a partir de 1933 e considerado o pai da moderna ciência planetária, formulou a hipótese de que nos confins do Sistema Solar deveria existir um anel composto de milhares de rochas congeladas surgidas nos primórdios desse sistema. Essa região ficou conhecida como cinturão de Kuiper.
A primeira forte confirmação dessa hipótese surgiu em 2000, quando a equipe do astrônomo inglês David Jewitt descobriu um KBO de 900 km de diâmetro, um pouco maior do que um terço do diâmetro de Plutão. Por ser candidato a planeta, esse objeto recebeu o nome de Varuna, uma divindade hindu. Essa descoberta levou Jewitt a prever a existência de cinco a dez outros corpos do mesmo tamanho ou ainda maiores. Um deles acaba de ser descoberto: o Quaoar.
O conceito atual de planeta - No dia 3 de fevereiro de 1999, um ano antes da descoberta do Varuna, quando a dimensão dos objetos transnetunianos descobertos tornou clara a possibilidade de haver muitos "plutões" nessa região, a União Astronômica Internacional (IAU, em inglês) divulgou a seguinte nota a imprensa:
"Nenhuma proposta para a mudança do status de Plutão como o nono planeta do sistema solar foi feita por qualquer divisão, comissão ou grupo de trabalho responsável pela seção de ciência do sistema solar da IAU. Ultimamente, um número substancial de objetos menores têm sido descobertos na periferia do sistema solar, além de Netuno, com órbitas e possivelmente outras propriedades semelhantes às de Plutão. Foi proposto atribuir a Plutão um número num catálogo técnico ou lista desses objetos transnetunianos (TNO) para que as observações e cálculos relativos a esses objetos possam ser convenientemente cotejados. Este procedimento foi realizado explicitamente para não mudar o status de Plutão como planeta."
Uma nota como essa, muito semelhante a manifestações oficiais de governos ou empresas, pode parecer estranha àqueles que têm uma visão idealizada da ciência. Daí a sua importância. Ela torna evidente o caráter humano da ciência, algo freqüentemente esquecido pelas pessoas que costumam ter uma visão mistificada e mitificada da ciência e dos cientistas. A descoberta do Varuna - e agora do Quaoar - mostra claramente que esses objetos têm a mesma natureza de Plutão. A própria lua de Plutão, Caronte, descoberta em 1978, tem quase as mesmas dimensões de Plutão, o que destoa em muito das reduzidas dimensões dos outros satélites em relação aos seu planetas. Seria muito mais razoável considerar Plutão e Caronte um planeta duplo do que atribuir ao segundo o status de satélite do primeiro. Mas o primeiro é Plutão, planeta que tem história, tradição e muito prestígio. E, em ciência, como em qualquer instituição humana, isso vale muito.
Ao que tudo indica, mesmo que outros KBOs ou TNOs sejam descobertos, mesmo que sejam bem maiores que Plutão - o que parece ser muito provável - nenhum deles será considerado planeta pelas associações internacionais de astrônomos.
Assim, se essa política astronômico-científica prevalecer, é provável que o derradeiro e definitivo conceito de planeta seja uma definição burocrática, como esta: "São considerados planetas os seguinte corpos celestes: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão."
Esperamos que não apareça em seguida o tradicional "revogam-se as disposições em contrário"...
Nossos agradecimentos ao professor Othon Cabo Winter, doutor em Dinâmica Orbital e Planetologia da Unesp, campus de Guaratinguetá, pela leitura desse artigo e pelas sugestões que nos deu.
(Dezembro de 2002)
Alberto Gaspar
(Doutor em Educação pela USP, Prof. de Física da Unesp-Guaratinguetá e autor da Ática)
Fontes:
Sobre astronomia em geral, em português:
http://www.zenite.nu/index.htm
http://www.if.ufrgs.br/~kepler/fis207/comast/meteoro.html
Sobre o Kuiper Belt, em inglês:
http://www.ifa.hawaii.edu/faculty/jewitt/kb.html
Sobre o Kuiper Belt, em português:
http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/aprendendo-basico/sistema-solar/cinturao-de-kuiper.html
http://www.if.ufrj.br/teaching/astron/kboc.html
Sobre o Varuna, em inglês:
http://www.ifa.hawaii.edu/faculty/jewitt/varuna.html
Prevendo o Quaoar, em português:
http://www1.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u3759.shtml
Sobre a descoberta do Quaoar, em português:
http://www.comciencia.br/reportagens/espaco/espc15.htm
http://www.astro.up.pt/nd/astro_news/2001/0903pt.html
http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2002/out/07/191.htm
http://www.vivaciencia.com.br/02/02_007.asp
http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/021007_plutaomtc.shtml
Discutindo a natureza do Quaoar
http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia/n726.htm
(Sites acessados pelo Ática Educacional em setembro de 2003.)
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